O passado, reembalado e vendido como novo

 

Chegamos ao ponto em que a criatividade parece ter tirado férias. E, pior, ninguém sabe se ela volta. Estamos num looping nostálgico, remasterizando o que já foi feito, polindo com um verniz moderno e chamando de inovação. Vale para tudo: da música à televisão, da moda ao cinema. Se antes o futuro era uma promessa de algo novo, agora é apenas um eco do que já existiu.

Pegue o controle remoto e faça um teste: a novela das nove é uma nova versão de Vale Tudo (1988), um clássico da teledramaturgia brasileira. Um enredo sobre corrupção, ética e ambição que, ironicamente, continua atual. Será que isso diz mais sobre a genialidade da obra ou sobre o fato de que o Brasil não mudou tanto assim?

Na música, a situação não é diferente. As rádios tocam versões repaginadas de hits dos anos 80 e 90. As novas gerações estão descobrindo que “novas” músicas já eram trilha sonora dos seus pais. Até as bandas que se aposentaram voltam para turnês de despedida – pela terceira vez.

No cinema, a máquina de moer nostalgia não descansa. Remakes, reboots e sequências de filmes antigos dominam a tela. Cada bilheteria de sucesso não é um filme novo, mas um aceno ao passado. Parece que desaprendemos a imaginar.

O que aconteceu? Será que esgotamos as boas ideias ou apenas encontramos conforto naquilo que já conhecemos? Talvez seja medo de errar. Criar algo novo exige risco, e o mercado prefere a segurança do que já foi testado. Mas a arte sempre foi feita de rupturas, de ousadia, de novos caminhos.

Se continuarmos nesse ritmo, o futuro será apenas uma versão HD do passado. E aí, qual será o próximo clássico reciclado que vamos fingir que é novidade?

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